Julie fala sobre o crescimento dos personagens e muito mais!

A série começou a me chamar a atenção na época que o Alaric apareceu. De qualquer forma, o que sempre me impressionou desde que eu comecei a assistir seriamente é o equilibrio que a série alcança, levando-se a sério, mas ao mesmo tempo não tentando ultrapassar a barreira do realismo. É algo díficil de manter?
Sim. Nós temos regras que tentamos seguir a todo custo. Quero dizer, obviamente algumas são quebradas, mas a partir do momento que as seguimos, elas nos dão uma boa base. As regras são: trata-se de pessoas reais. São jovens verdadeiros em um mundo fictício, e tudo que fazemos deve dar a impressão de estar sendo em um mundo real. Mesmo com todas as coisas sobrenaturais, tentamos fazer tudo parecer real. Sabe, é claro que em momentos de desespero fugimos dessa regra. Mas, se no final das contas, tudo for a nome do amor, familia, perdas, lealdade e amizade, então saberemos que o real ainda está ali. Fizemos uma brincadeira na primeira temporada. Os roteiristas estavam tipo: "Essa coisa de bússola vampiresca é tão ridícula, qual a realidade nisso?" Porque, afinal de contas, aquilo era uma bússola de vampiros. Mas de qualquer forma sempre tentamos levar tudo de volta para um lugar mais humano.

É algo muito difícil para mim e para o Kevin. Quando estávamos começando a escrever, o estilo dele era muito atrevido por causa de Pânico e Dawson's Creek, algo pop metalingüístico, enquanto o meu era muito Mean Girls. E tivemos de recobrar nossa consciência, porque se criássemos personagens muito pops, grudentos, com um conhecimento de sua própria criação, então estaríamos escapando muito da realidade. E sabíamos que tínhamos de ser diferente de Buffy.

Sim, sobre isso...
Eu sou uma grande fã de Buffy
Apesar de amarmos Buffy, definitivamente não queremos outra versão dela.
O legal é que temos Damon. Damon chega a ser nosso novo Buffy. Damon tem esse retorno atrevido, diálogos divertidos e sarcásticos. Mas se todos os personagens fossem assim, acho que a série não teria dado certo. E quem quer seguir os passos de Joss Whedon? Ele é o mestre. Então, a primeira coisa que temos de fazer é nos diferenciar.

Foi difícil adaptar os livros originais? Vocês conscientemente decidiram se afastar da história e escrever algo diferente? Eu não os li, então não posso comparar a forma como eles são diferentes, mas, por exemplo, na primeira temporada tinha muito essa coisa de diário, pelo menos nos primeiros episódios, embora rapidamente tenha sumido.
Os livros são chamados The Vampire Diaries, então sabíamos que tínhamos de ter diários. Embora Kevin, até hoje, odeie tanto isso -- desde que começamos ele dizia, "Eu mal posso esperar para nos livrarmos dessa coisa de diário".

Irônico
Algumas pessoas adoram, outras odeiam, mas tinha de existir. É The Vampire DIARIES. Mas, definitivamente, temos de nos ligar aos personagens, cidade e mundo que os livros prepararam para nós. Mas por causa de Twilight e tentando não refazer Buffy, tivemos de começar imediatamente a tomar decisões independentes do material de origem para que pudéssemos construir um mundo em que sentiríamos que haveria muitas histórias para contar. E de repente isso se tornou um trem desgovernado. De vez em quando ficamos tipo: "Ah, eles fizeram isso nos livros? Acho que sim. Não me lembro" É diferente de adaptar coisas como Twilight e The Hunger Games, onde você realmente não quer mexer nas coisas para não aniquilar os fãs. Nós tínhamos mais liberdade.

Acho que outro ponto forte são os personagens incrivelmente bons. Eles sempre pareceram perfeitos, ou teve um processo de construção e refinamento?
Quando você está escrevendo o Pilot, você tem 41 minutos para apresentar cerca de dez personagens, um mundo e uma história. Então, considerando que você irá focá-lo em dois personagens e os outros 8 receberão cerca de 2 minutos de aparição, é difícil mostrar o diferencial de um personagem coadjuvante no Pilot. A beleza de uma série é que, quando você chegar ao final dela, esses personagens podem ter se tornado importantes. Eu acho que Caroline está numa jornada até o final da série, onde ela se tornará uma das personagens femininas mais fortes. Então é divertido ver essa evolução. Tyler, por exemplo, era um valentão, e agora tem uma experiência colossal e está envolvido numa história de amor.

Sim, honestamente, Tyler me irritava no começo.
Sim! Esse é um bom exemplo quando falamos sobre a adaptação. Eu sabia que ele seria um lobisomem, porque nos livros ele é um. E, no entanto, não queríamos fazer nada depressa. Então tudo que fizemos foi mostrar esse garoto com problemas de controlar a raiva e problemas paternos, para então fazermos uma sugestão sobrenatural. E, assim que desencadeamos isso na segunda temporada, tudo fez sentido quando olhamos pra trás. E, avançando, fomos capazes de criar um personagem multifacetado. Então sim, eu gosto dessa história, porque no começo ele era apenas um valentão, um rodapé na história, mas o que mais poderíamos fazer com ele usando quatro minutos por episódio?

Preciso perguntar sobre meu personagem favorito, Alaric. Novamente, devo dizer que não li os livros, por isso minha paixão por ele se baseia na série, mas eu adoro sua evolução e história.
Ele era um grande personagem em que colocamos alguns obstáculos na segunda temporada, em que seu propósito era muito forte. Ele deveria ser um caçador de vampiros, mas não houve vampiros para caçar num determinado ponto porque ele se tornou amigo de Damon e Stefan e, em seguida, começou a namorar Jenna. Quem ele iria caçar? Então nós, como escritores, erramos um pouco com o personagem e demorou um tempo para recuperá-lo e dá-lo um propósito na vida. E uma das razões por eu amar tanto a última temporada é que ele finalmente encontrou seu caminho como guardião, mas também pudemos explorar seu lado obscuro para depois transformá-lo naquilo que ele era quando entrou na série - um caçador de vampiros.

Como que os personagens principais te afetam pessoalmente? Quem é seu personagem favorito e por quê?
Chega um ponto em que todos me afetam pessoalmente, porque eu os conheço tão bem. Na verdade, é difícil, como escritora, criar conflitos entre os personagens, já que uma história é movimentada por discordâncias entre eles. E quando você os ama tanto, você quer que eles fiquem juntos e unidos. Todavia, é necessário que alguém queira ir para a esquerda enquanto outra pessoa queira ir para a direita, para que as coisas entrem em conflito. Isso é doloroso, porque você não quer que exista esse conflito.

Mas isso conduz o seriado…
Exatamente, mas você precisa disso! Então eu os amo por diferentes razões. Eu sinto tanto por Elena que as vezes até me machuca. Quando você se coloca no lugar dela, como uma garota de dezoito anos de idade, você percebe o quanto ela está perdida e o quão forte ela teve que ser. Eu me sinto mal por ela. Sinto muito por Stefan, porque eu acho que ele possui tantos demônios com os quais ele não sabe lidar, então ele vai para lados extremos e você quer que ele apenas encontre um meio termo. Eu amava Alaric porque ele só queria um propósito na vida. Damon é tão deficiente e prejudicado pelo amor que isso o tornou em tudo o que ele é hoje e, ainda assim, a beleza disso é tão pura e simples que se ele pudesse apenas voltar para a simplicidade de quem ele era , ele poderia ser um herói e um cara bom, mas ele também é muito experiente e autoconsciente para cair nessa. E ele é muito autodestrutivo para deixar que isso aconteça com tanta facilidade. E Caroline é apenas aquela garota que queria ser amada e na verdade teve que se tornar uma vampira para ser amável.

Ela é uma das nossas favoritas, também.
Eu a amo.

Ela é fantástica. Estávamos duvidosos quanto à sua história como vampira, mas ela realmente encontrou sua força.
Ela encontrou sua força. Exatamente.

Mas, há algum personagem preferido, particularmente?
Não. Quero dizer, eu costumava amar escrever as cenas de Damon e Alaric. Eram os meus favoritos de se escrever. Se houvesse uma história em um episódio que envolvesse os dois, eu sempre escolheria essa história para escrever porque eu amava a dinâmica deles e eu apenas amava a camaradagem que rolava ali.

Isso é o que nós chamaríamos de “Uma reunião do Clube dos Bonitões”.
Exatamente! “Uma reunião do Clube dos Bonitões”. Amei isso!

Pergunta bônus, porque eles ainda não estão me mandando ir embora: Você está ciente de toda essa cultura que cresceu ao redor do seriado? Por exemplo, as brincadeiras que acontecem junto com as nossas recapitulações, tipo a reunião do clube dos bonitões, ou as brigas de socos dos Salvatore?
Oh, eu amo isso!

Os escritores conhecem essa cultura? Os escritores dizem, talvez, “oh, nós deveríamos colocar mais coisas malucas do olho de Damon aqui”?
Nós gostamos de ficar no limite da autoconsciência. Nós não podemos evitar. Nós acabamos achando essas brincadeiras, e as recapitulações com fotos e todas essas coisas. E essas coisas inevitavelmente encontram seus caminhos, e esse é o nosso modo de nos voltarmos para a base de fãs e dizer, “oh, a gente escuta vocês, e aqui está a prova de que vocês não ficam no vácuo.”

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